Terça-feira, Maio 12, 2009

três de maio ou papéis rasgados de uma crônica

lápis nos olhos, e você veio até mim sorrindo. O mar não fazia barulho, nem mesmo as crianças que corriam na areia, assim pudemos ouvir nossas vozes, pausas, nossos risos desajeitados tentando emendar pedaços de histórias
...algum beijo na testa, não...só que me faz bem você sorrindo e rindo das besteiras que invento...
E então? A gente gosta de dançar...
E aí? A gente pensa no que dizer...
GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLL
e vários gritos e explosões de fogos e de ânimos nos confundem, quem é que está ganhando?
Andamos e atravessamos um castelo de luz, um gramado com jogo rolando, temos areia nos pés e caminhamos sobre as nuvens...parece até que nossas mãos se tocam, quando apenas nossos olhares se encontram...
Casca de batata, quatro queijos, mate limão e uma ponte sobre a Baía de Guanabara. Uma música poderia ter embalado nós dois naquele instante, mas ninguém sabe muito bem o que sustenta dois pares de mãos em pleno ar. Uma casa vazia, um leão dormindo e uma foto do seu rosto quase sendo apoiado pela sua mão, branca e livre, mas não segurei por estar tão longe.
Sou linda né
Sempre soube disso desde o primeiro dia que te vi

Domingo, Maio 03, 2009

Não é melhor voltar a falar de poesia?

Uns têm poesia, outros azia...

- Eu tenho poesia, você azia.

- Por que eu é que tenho que me fuder?

- E você acha que ter poesia não me faz mal também?

- Assim também é mole né.

- Por quê?

- Ué, muito fácil decidir por mim.

- Tá bom, eu tenho azia. Fica com a poesia.

- Não quero mais, pode ficar.

- Agora eu é que não quero.

- Nem eu.

- Poesia dá azia.

- Azia não dá poesia, dá vontade de mandar todo mundo pra casa do ...

- Nossa, calma.

- Tô calma, mas não me testa.

- Ok.

- Você tá sendo irônico?

- Ai, não é melhor voltar a falar de poesia?

Sábado, Abril 18, 2009

Ela não cabe mais no meu caderno


Domingo, Abril 05, 2009

com um sorriso
repleto de estrelas
ela surgiu assim
pedindo talvez licença
não ouvi

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Alguns pedaços, nem mesmo nós dois somos completos

Quando a vi pela primeira vez, pensei: "Ela veio dos meus sonhos". Não sabia se sonhava acordado ou se acordava sonhando, mas nunca imaginei que ela existisse além da minha própria imaginação.


(três pontos)


- Café?
- Sim, com creme.
- Hm, com creme? Também adoro.
- Combinamos no café. Bom começo.
- É verdade. Alguém pra me acompanhar nas noites de insônia.
- Te acompanho até nos dias de chuva, final de mês, sem dinheiro nenhum.
- Não fala assim que eu me apaixono.
- Que pena, porque eu já me apaixonei.

Aquela ousadia, aquele jeito suave de ser descarada me deixava encabulado, mas me excitava muito também.


(três pontos)


A gente gostava de ler juntos as notícias do jornal de domingo:


Rio 42°: cidade registra mais alta temperatura em anos

Paixão e morte: homem mata mulher a golpes de machado por ciúmes

Taxa de juros é a mais baixa desde o primeiro semestre do ano passado

Chuvas torrencias maltratam a lavoura

Mengão tropeça feio no começo, mas garante vitória no finalzinho em cima do São Paulo


(três pontos)


- Alô
- Alô
- Você vem aqui em casa hoje?
- Não sei, meu bem.
- Por quê?
- Tô meio assim.
- Naqueles dias?
- É.
- Vou aí te fazer uma massagem nos pés. Levo um filme?
- Ai, você é o homem da minha vida, sabia? Traz um daqueles pra chorar.



(três pontos)

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

Quando fecho a porta
não vejo mais a luz de fora
nem mesmo a tua luz
agora
não mais

O amor não é mais nossa
razão ou sentido do outro
é só pouco
caso
de viver


- Ei, pisu.

- Que foi?

- Bonito isso que vc escreveu.

- Não era pra ler.

- Já li, e aí?

- E aí, que você é um intrometido.

- E aí, que vc não pode fazer nada. Já li e achei bonito.

- Foda-se.

- Vc pode me xingar à vontade.

- Por que você me chama de "vc", em vez de "você"?

- É a mesmo coisa quando falamos...como vc sabe que eu to falando só o "v" e o "c", se, quando pronuncio, é "você"?

- Eu?

- É.

- Isto é um blog, meu chapa.

- Ah é. Esqueci.

Terça-feira, Março 18, 2008

o amor é uma órbita
entrelaçada de nossas vidas
essa maneira
tão simples de complicarmos
qualquer palavra
o amor é um rastro
de fogo e de sangue
o cheiro perfurmado
das flores mais belas
e sem nenhum perfume
o amor é um susto ao tiro
nossa cabeça que se abaixa
no estampido
nossa quietude
em meio a uma guerra nuclear
o amor é o garrancho
que se torna a melhor fonte
num editor de texto
é um pretexto
de deixar uma página em branco
para que eu a preencha
com a foto do seu rosto
o amor é essa dança que não pára
essa chuva que não cessa
essa cama que não quebra
esse sol que jamais se põe
e ainda assim contemplamos
a cortina da noite de estrelas
é a conta que deixamos de pagar
e não cortaram nossa luz
o amor é beber refrigerante
quando a sede nos massacra
é um salto
é um estar inerte
um murmúrio
um berro sem eco
e que o mundo inteiro escuta
o amor é essa manhã
que nos beija a face
ainda que as cortinas
estejam fechadas
o amor é essa noite
em que deitamos juntos
e parece que nunca mais vai acabar